adri2Diagnóstico define caminhos para o futuro

– Emídio Sousa quer actores locais no centro da estratégia de desenvolvimento

A compreensão da realidade local passa por “um bom diagnóstico” que permita identificar as necessidades, detectar eventuais problemas e dar conta dos recursos e das potencialidades, defendeu o presidente da Câmara de Santa Maria da Feira, Emídio Sousa.

“Na construção da nova estratégia de desenvolvimento local, tendo em vista o próximo quadro comunitário de apoio, o rigor da auscultação será decisivo, assim como o envolvimento dos diferentes actores locais neste processo”, disse.

adr1O autarca falava no final da reunião concelhia de Santa Maria da Feira das Jornadas Técnicas para o Desenvolvimento Local que decorreu esta quarta-feira nas instalações do ISVOUGA – Instituto Superior de Entre Douro e Vouga, numa iniciativa promovida pela Associação de Desenvolvimento Rural Integrado das Terras de Santa Maria (ADRITEM), em parceria com a Câmara Municipal.

“Agricultura, Ambiente e Recursos Naturais”, “Emprego e Capital Humano”, “Sector Solidário e Inclusão”, “Cultura e Património”, “Economia e Competitividade” foram as temáticas abordadas durante a sessão, que juntou um conjunto alargado de agentes locais, designadamente autarcas, responsáveis de estabelecimentos de ensino, directores de museus e de IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) e representantes do movimento associativo (empresarial, cultural e desportivo). Entre os participantes, destaque ainda para a presença do director do Centro de Emprego e Formação Profissional de Entre Douro e Vouga, Ricardo Faria.

Tratou-se da primeira reunião à escala concelhia, num território que congrega além do município de Santa Maria da Feira os seus congéneres de Albergaria-a-Velha, Oliveira de Azeméis, Gondomar e Valongo.

“O êxito reconhecido que a ADRITEM teve no actual quadro comunitário que está a terminar e o volume de fundos que se conseguiu foi muito importante, mas não vamos ficar por aqui: queremos potenciar ainda mais este nosso objectivo, alargando inclusive o âmbito de actuação desta associação a todo o território do concelho de Santa Maria da Feira“, sublinhou Emídio Sousa, que também preside os destinos da ADRITEM.

A reunião concelhia das Jornadas Técnicas de Desenvolvimento Local, que congregou representantes de instituições de todos os sectores sócio-económicos (públicos e privados), é mais um contributo para a definição da estratégia de desenvolvimento local 2014-2020.

Ideias de futuro

Os trabalhos tornaram claro o potencial de crescimento a vários níveis do concelho de Santa Maria da Feira.

No tema “Agricultura, Ambiente e Recursos Naturais” foi dado enfoque à promoção da bolsa de terras, tendo em vista o aumento da área de produção agrícola, designadamente de kiwi, no município onde está sedeada a Associação Portuguesa de Kiwicultores. A organização do Festival da Terra e dos Agricultores – para sensibilização para o sector, emparcelamento, troca de experiências e apoio de produtores ou o incremento da compostagem doméstica – surgiu como uma ideia para alterar o actual quadro. Apostar na recolha da biomassa descentralizada, constituir um observatório de aconselhamento e apoio agrícola, criar uma ciclovia ligando o Rossio ao Europarque e uma rede de percursos temáticos entre várias freguesias foram outras das abordagens.

O grupo “Emprego e Capital Humano” defendeu a constituição de grupos de pressão que cheguem à fala com os decisores, para influenciar as políticas públicas, no sentido de as adequar às necessidades e especificidades de desenvolvimento do território neste domínio. Repensar os mecanismos de inserção de jovens no mercado de trabalho e descentralizar serviços de apoio ao emprego e formação por via das “TIC” ou do trabalho itinerante tiveram eco na reflexão.

A implementação de uma plataforma de recursos e apoios locais e nacionais foi uma carência detectada na abordagem ao “Sector Solidário e Inclusão”, onde se defendeu uma maior interligação entre instituições e entidades existentes. Novos projectos a lançar como “Mercearias Sociais”, núcleos de proximidade (voluntariado) ou a capacitação do terceiro sector mereceram ainda atenção, num tema que não esqueceu a importância dos fóruns sociais, o reforço de mobilidades e acessibilidades e a revitalização de espaços com o objetivo de convívio e integração.

“Terras de Santa Maria – Um Palco de Experiências” foi a designação que os participantes que debateram “Cultura e Património” lançaram para promover no futuro a oferta cultural diferenciadora, extensível ao longo de todo o território rural. Aproveitamento dos equipamentos de educação (ISVOUGA, ISPAB, Escola Profissional de Paços de Brandão e Cincork – Centro de Formação Profissional da Indústria de Cortiça) em prol da dinamização da cultura e do património, promoção de rotas que valorizem o património ou as inovações criativas da gastronomia (fogaça, doce de Coimbra, regueifa ou caladinho) foram outros dos destaques.

No tema “Economia e Competitividade”, falou-se da importância de uma clínica para tratamento oncológico, surgindo como alavanca de turismo médico e de saúde, da necessidade da aproximação do meio empresarial à universidades, da revitalização do comércio tradicional e da dinâmica de valorização do artesanato. Assuntos ligados ao turismo industrial – articulando-o em termos regionais e com outras rotas e áreas –, ao turismo de negócios ou ao turismo rural, à necessidade de um serviço de transporte para as freguesias rurais (no sentido de satisfazer necessidades específicas) e a pertinência da Business Network “BizFeira” – uma plataforma digital vocacionada para a internacionalização de empresas criada este ano pela autarquia – tiveram também repercussão.