No relatório “O Estado da Educação 2013″ é dado destaque à diferença entre as classificações internas e as classificações externas dos alunos.

As escolas são acusadas de inflacionar ou prejudicar as classificações dos alunos, sendo insinuado que tal é feito propositadamente.

Basta ler a página 302 do relatório:

A situação descrita por estes gráficos sugere práticas de avaliação interna que merecem uma atenção redobrada: umas por claramente inflacionarem as classificações dos seus alunos, outras, pelo contrário, por prejudicarem os alunos com uma suposta e injustificada exigência avaliativa.
No caso do Ensino Secundário a injustiça resultante da falta de rigor nas classificações internas torna-se mais evidente face à perspetiva de ingresso no Ensino Superior.
O problema não seria grave caso estivéssemos perante situações excecionais. Porém, são identificáveis escolas que de forma reiterada inflacionam as classificações dos seus alunos, o que se torna mais evidente nas classificações internas do Ensino Secundário. 

Há algumas situações que devem ter escapado ao CNE ao fazer esta análise.

Em primeiro lugar, as escolas públicas são prejudicadas se houver uma grande diferença entre as classificações internas e externas dos seus alunos. Esse prejuízo consume-se com uma pior avaliação da escola e ainda não conseguir obter os benefícios de mais crédito-horário. O presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) refere bem isso no artigo do Público “Directores dizem que escolas públicas que inflacionem notas são “penalizadas”.

Depois, é necessário ver que este relatório não faz a distinção entre escola pública ou privada. Se formos a ver o historial sobre inflações de notas, está provado que as escolas privadas têm sistematicamente inflacionado as notas dos seus alunos em comparação às escolas públicas. Para tal, basta ler este outro artigo: “Notas inflacionadas das privadas permitem ultrapassar até 450 colegas“. O estudo realizado não se restringe a um ano, mas sim a 11 anos de dados (de 2001 até 2012).

Por isso, há realmente notas intencionalmente inflacionadas? Claro que sim… mas essencialmente em escolas privadas.

in profsaoinfinito.com