alferesConfesso que hesitei em responder à (deduzo) nota de imprensa de Márcio Correia. Pensei, pensei… e decidi dar alguns esclarecimentos a quem não conhece a realidade do Hospital S. Sebastião ou, para ser mais preciso, do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, em particular, e da área da saúde do país, em geral, omitindo também deliberadamente alguns factos.

Antes de mais, o cidadão Márcio Correia afirma-se nesta temática em que qualidade? Vamos lá ver:

– Membro (desculpe), presidente do Conselho de Jurisdição da Federação PS de Aveiro? Mas estes órgãos já emitem comunicados políticos?

– Membro do PS da Assembleia Municipal? Terá tido a amiga Margarida Gariso conhecimento? Terá dado autorização?

– Ex-vereador? Nem teço comentários…

– Dirigente do PS? Se o é, o que é feito da Concelhia do PS? Se não o é, actuou por conta própria.

– Vice-presidente da Liga dos Amigos do Hospital de S. Sebastião? Espero que não, mas é provável…

Esta questão parece pura retórica mas é central. É fundamental o eleitorado saber se Márcio Correia assume estas posições como sendo as do PS – e então resta saber porque fica o PS calado e manda alguém dar a cara neste frete – ou como sendo as da Liga dos Amigos do Hospital – e então fica esta liga a parecer uma voz de oposição à administração do Centro Hospitalar (seria interessante a Liga tomar posição pública sobre estas declarações do seu vice).

Vou desmontar então as (com todo o respeito) patéticas argumentações de Márcio Correia.

O CDS Feira não faz nem nunca fará fretes à administração do Centro Hospitalar. Não tem ligações a nenhum administrador, e se tivesse, pautaria a sua actuação por total independência e isenção. O CDS Feira já o demonstrou várias vezes, algumas até em posição diferente do CDS Nacional. Neste assunto estamos conversados.

Todos sabemos que há falta de pessoal nos hospitais. Mas amigo Márcio, isto acontece no país inteiro, não é só na Feira. Há falta de médicos há mais de 40 anos… pelo menos. Há cerca de 4 ou 5 anos, havia também falta de médicos (talvez ainda mais), era José Sócrates Primeiro-Ministro e Márcio Correia vereador – e não lhe ouvi uma palavra sobre o assunto.

E enfermeiros, há falta? Em alguns serviços, sim. E sei que a administração está a recrutar mais profissionais para colmatar esses desequilíbrios.

Nesta matéria, há uma crítica ao poder central, que o CDS apontou no seu comunicado: a dificuldade para contratar pessoal. Demora (muitos) meses o processo estar concluído. Está mal, meu caro Márcio, mas há uma razão: essas contratações têm de ter o aval do Ministério das Finanças. E porquê? Porque os meios financeiros são escassos, por causa da vossa governação desastrosa e posterior vinda da Troika! Não falemos mais disso…

Nunca houve situações de ruptura nos serviços. Houve situações alarmantes, de possível estado de pré-ruptura mas que os profissionais (e mais uma vez enalteço o profissionalismo desta gente) souberam evitar com muito trabalho e dedicação. Aliás, as preocupações das Ordens foram essencialmente nesta matéria.

E o tempo de espera ultrapassa as duas horas sistematicamente? É possível. Meu caro, até no atendimento privado muitas vezes esse tempo é ultrapassado. E nos outros hospitais? No hospital de Gaia, como é? E no de Aveiro? E no resto do país? O tempo de espera não será o ideal (e quem espera desespera, é bem verdade), mas o “nosso” Centro Hospitalar é dos melhores do país também nesta área.

Mas então é tudo bom neste hospital? Obviamente há problemas que urge atacar. As urgências, por exemplo, têm problemas. Mas será da união e do esforço de todos – administração, médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar e naturalmente outras entidades competentes – que se construirão soluções mais eficazes para o utente.

Houve também diversos adiamentos de consultas, situação obviamente desagradável, mas que tem vindo a ser minimizada e até resolvida.

Para concluir este argumentário, algumas notas muito breves:

– Alguma vez viu camas estacionadas com doentes nos corredores do S. Sebastião, como acontece na maior parte dos hospitais?

– Já viu alguém ser atendido em corredores ou despensas do hospital?

– Viu material hospitalar usado em sacas de lixo em entradas de enfermarias ou consultórios?

– O que acha da limpeza das instalações? Impecável, não acha?

– Em termos de valências, o “nosso” Centro Hospitalar não foi afectado, certo?

– E convocam o utente para uma consulta através de carta, SMS e telefonema de véspera, concorda?

– Para terminar, depois de feita a “acreditação”, qual o tempo de espera, em média, pela chamada do nosso nome para uma consulta? Pouco… muito pouco!

– Mesmo para terminar, quantos hospitais conhece com parque de estacionamento que seja efectivamente grande e adequado com a dimensão do hospital? Pois…

Devo lembrar o amigo que este tipo de política, como diz, foi iniciada pelo Ministro Correia de Campos. Lembra-se? Fechou uma série de maternidades e outros serviços (e em muitos casos nem alternativas apresentou) … E acabou por se demitir, pela contestação popular enorme, incomparavelmente maior que a atribuída ao actual ministro!

E eu estou à vontade porque, no plano teórico, concordei com o “seu” ministro. Na prática é que as coisas correram menos bem…

O Centro hospitalar de Entre o Douro e Vouga é uma das melhores unidades do país. Não é a ideal, é a possível. Tem falhas, mas tem muita qualidade.

Porque temos a obrigação de esclarecer a população e evitar alarmismo e até pânico.

Com a saúde, meu caro, não se brinca!

Numa última nota, saliento que o CDS responderia à referida nota se a autoria fosse do PS ou de outra instituição, mas como foi de um cidadão, entendeu não ser apropriado.

E eu respondo-lhe como cidadão feirense (responsável)!

Manuel José Alferes Pereira