mgNinguém pode ficar indiferente

A 25 de Novembro do ano passado, a propósito do Dia Internacional pelaEliminação da Violência contra as Mulheres solidarizei-me publicamente comtodas as pessoas de vítimas de violência doméstica, em particular as mulherese as crianças que eram e são em maior número. Na altura, expressava eu aesperança de que aquela saga terminasse, porque representava um atentadoaos mais elementares Direitos Humanos e um retrocesso civilizacional que atodos nos deve preocupar.

Escassos dois meses decorridos, o tema continua a fazer correr rios de tinta ea abrir telejornais, com uma faceta ainda mais preocupante, que é a que nosmostra que o problema é transversal a todas as classes sociais. Como se tudoisto não fosse já preocupante, a desastrosa política social do governo dacoligação PSD/CDS acaba por dar um contributo nefasto, crispando asrelações familiares de pessoas que sobrevivem no limiar da pobreza, por forçada cegueira política de Pedro Passos Coelho e da sua equipa de ministrosinsensíveis e desligados da realidade do país que deveriam governar emharmonia social.

Sei que não é possível apagar de um momento para o outro, a carga negativada educação retrógrada que nos foi legada e que, infelizmente ainda se vaifazendo sentir. Mas também sei que a responsabilidade não se esgota no quea Lei impõe. De cada vez que a violência doméstica faz vítimas, há ali umaponta de responsabilidade social que tem de ser atribuída a toda a sociedade,porque todos nós podemos fazer algo mais que indignar-nos em datascomemorativas, ou de cada vez que uma mulher é assassinada. Por isso nãome canso de chamar a atenção para a necessidade de promover umaconsciencialização nova, em que seja salvaguardado o direito de qualquer umao usufruto da identidade, sem submissões pessoais a quem quer que seja. Decada vez que nos deparamos com uma pessoa vítima de violência doméstica,não nos basta lamentar e seguir em frente, até que a dura realidade volte adespertar-nos. É preciso juntar forças e atuar em todas as frentes: nasociedade, no local trabalho e até em casa. E pela minha experiência, garantoque se cada um de nós fizer a parte que lhe compete, a indiferença e aintolerância acabarão por ser derrotadas, em nome da dignidade. Para mim,trata-se de uma realidade em que fundo grande parte das minhas convicçõespessoais e políticas. Aliás, é por isso que, mesmo no dia a dia, insiro semprenas minhas mensagens e comunicações pessoais a máxima que vos deixo:

“Sozinhos, pouco podemos fazer; juntos, podemos fazer muito.”     Helen Keller

Margarida Gariso

Líder do Grupo Municipal do PS