mgAssinalou-se no domingo, dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, numa data que felizmente é cada vez menos simbólica graças ao seu significado crescente. No que me toca, não posso deixar de lamentar que em pleno século XXI ainda seja necessário à sociedade ter de recorrer a este género de simbolismo para fazer valer direitos que, por natureza, deveriam estar presentes na prática diária das pessoas. Mas infelizmente, ainda há quem confunda a reivindicação feminina da igualdade de géneros como feminismo e teime em não perceber que não pode haver mudanças sociais sadias sem a participação feminina em pé de igualdade com a condição masculina. Quem me conhece sabe que desde sempre me tenho batido pelo papel da mulher na sociedade, principalmente no que respeita à participação política e no mundo do trabalho, porque a sociedade apenas pode desenvolver-se de forma equilibrada com ambos os seus membros, ou seja, com homens e mulheres.

Na política, pugno pelo exercício da igualdade em condição natural. Mas apesar de não me rever, por princípio, no princípio de institucionalização das quotas de género, nomeadamente, na elaboração de candidaturas a eleições legislativas ou autárquicas, tenho de reconhecer que sem essa medida a participação ativa das mulheres na vida política do nosso país e das nossas autarquias, estaria seriamente restringida, como se pode observar pela análise das candidaturas anteriores ao surgimento da lei da paridade. No mundo do trabalho, é-me ainda mais difícil aceitar que na esmagadora maioria de atividades, haja salários desiguais para trabalhos iguais, consoante quem o execute e sempre em prejuízo das mulheres trabalhadoras.

É sobre este último tema que me permito fazer esta reflexão, a propósito do Dia Internacional da Mulher, quando passam apenas três dias desde que Ii no Jornal de Notícias que só em 2086 a igualdade de remuneração entre homens e mulheres será atingida, segundo a Organização Internacional do Trabalho.

Em 2015 a diferença salarial entre homens e mulheres que desempenhem tarefas idênticas ainda está nos 23%, o que significa uma afronta não apenas à condição feminina mas à própria condição humana e que urge combater.

Margarida Gariso